Linhagem evolutiva humana 10 de março de 2010
O link a seguir é interessante pois é recheado de imagens sobre o assunto e o texto é bem escrito.
Ardi – a antepassada mais antiga dos seres humanos 10 de março de 2010
Ardi a nova mais antiga antepassada dos homens
Com 4,4 milhões de anos Ardi fornece indícios de como a pressão social seletiva contribuiu para a evolução dos hominídeos.
O que é Política? 3 de março de 2010
No dia-a-dia a palavra política é utilizada com uma pluralidade de sentidos. Ouve-se as pessoas falarem que “fulano de tal é mais político” referindo-se à maneira de agir da pessoa; em ambientes empresariais o chefe chama atenção do seu subordinado para seguir a “política da empresa e vestir sua camisa”, dando à palavra o sentido de forma de exercer e disputar o poder interno. Nesse mesmo sentido incluímos a política da escola, da igreja, da associação, do clube, etc; Fala-se ainda do caráter político presente em uma obra de arte ou de um livro e o termo também assume um caráter pejorativo: “politicagem”, como uma política “falsa” em que predominam os interesses particulares em detrimento dos interesses públicos.
Não é qualquer sentido da palavra que irá nos interessar para compreendermos o fenômeno social política. Usaremos o sentido etimológico do termo de onde polis significa cidade em grego que refere à arte de governar, de gerir o destino da cidade.
A palavra política não pode ser definida sem levar em consideração a história, onde ela apresenta uma diversidade de nuanças conforme o tempo e a sociedade onde se desenvolve. Por isso, não é possível se falar em política em geral, torna-se necessário delimitar a área de discussão e situar as respostas historicamente.
Se levarmos em conta que gerir e governar uma cidade é decidir os destinos de toda uma população precisamos considerar que existem algumas pessoas que estão em postos chaves, de comando, e outras em situação de subordinação às determinações dessas pessoas. Precisamos refletir então sobre quais elementos permitem a uma pessoa ou a um grupo de pessoas exercerem o poder e quais as características fundamentais desse exercício. Ao mesmo tempo, pensar no outro lado e compreender por que as pessoas se submetem a esse mando, qual situação lhes é permitido desobedecer e quais as consequêcias da obediência e desobediência civil.
A política refere-se então ao poder e é assim compreendida como um processo de luta pelo poder, que como tal apresenta os movimentos de conquista, manutenção e expansão do poder. O político passa a ser aquele que atua na vida pública e é investido do poder de imprimir determinado rumo à sociedade e para cumprir suas funções sociais necessita das instituições políticas que são os meios de exercício do poder.
2. O Poder
A exemplo da palavra política, o termo poder possui inúmeras definições, levaremos em consideração a mais geral que consiste na “capacidade ou possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou grupos humanos”. O poder é assim entendido como uma relação entre quem exerce e aquele(s) sobre o qual o poder é exercido. O conceito pode assim ser formulado: “conjunto de relações pelas quais indivíduos ou grupos interferem na atividade de outros”.
Para que alguém exerça o poder é necessário que tenha força, esta é o instrumento de exercício do poder.
Existem vários tipos de força, os mais comuns são a força física, a coerção e a violência. Mas força pode significar não necessariamente a posse de meios violentes de coerção e sim como o meio que permite influir no comportamento de outra pessoa. Por exemplo, um partido político que tem força para mobilizar eleitores, um sindicato que tem força para deflagrar uma greve.
Desde a Idade Moderna, o Estado se configura como a instância por excelência do exercício do poder político. Na Idade Média vigorava a descentralização política, mas no período seguinte o Estado surge com a formação das monarquias nacionais. Estado passa a significar a posse de um território e o comando de seus habitantes a partir da centralização cada vez maior do poder. A partir de então, somente o Estado passa a ser apto para fazer e aplicar as leis, recolher os impostos e ter um exército.
O Estado monopoliza serviços essenciais para garantir a ordem interna e externa e para isso precisa de um aparato administrativo fundado em uma burocracia controladora.
Esse é o conceito de Estado Moderno para Max Weber que apresenta duas características essenciais: a presença do aparato administrativo para a prestação de serviços e o monopólio legítimo da força.
3. O Poder Legítimo
A força física não é condição suficiente para a manutenção do poder, para que este seja legítimo é preciso ter o consentimento daqueles que obedecem.
Ao longo da história e de acordo com a especificidade de cada cultura, alguns princípios orientam a legitimidade do poder:
a) Nos Estados Teocráticos o poder considerado legítimo vem de Deus e, portanto somente a autoridade religiosa determina o escolhido, aquele que será rei, soberano, regente;
b) A força da tradição como aquelas que ocorrem nas monarquias hereditárias o poder é transmitido de geração em geração;
c) Nos Estados Democráticos o poder é legitimado pelo consenso, pela vontade do povo.
A legitimidade do poder está ligada à questão da obediência que é devida apenas ao comando do poder legítimo. A obediência é assim voluntária, livre, o contrário abre espaço para o direito à resistência, o que leva à turbulência social.
Quando o poder não é legítimo ele precisa ser garantido por meio da força, aí sim o termo pode ser entendido no seu sentido mais comum: força física. É quando instaura o poder totalitário, tirânico, ditador, centralizado, que perdura enquanto os instrumentos coercitivos tiverem eficácia ou até a morte do poderoso.
Nas democracias modernas podem ocorrer casos de perca de legitimidade do poder exercido pelos políticos mesmo que eleitos pelo voto popular. É o caso do ex-presidente Fernando Collor de Melo que pelas denúncias de corrupção provocou o sentimento nacional a favor do seu impeachment, ou casos em que os direitos políticos são cassados.
Por vezes os meios de comunicação em massa divulgam resultados de pesquisas de opinião que retratam o índice de aprovação e desaprovação de um governante, medido através do crescimento ou retração da popularidade do político entre os eleitores. Esses indicadores são exemplos de medida da legitimidade do poder.
Janete Araújo da Silva
Comportamentos sexuais e afetivos entre adolescentes e Jovens 3 de março de 2010
Sempre que a pergunta o que é sexualidade? é feita para adolescentes e jovens estudantes a resposta imediatamente dada é a respeito do sexo no sentido de transa, relação sexual. A resposta está correta, porém estudar sobre sexualidade envolve mais do que o ato sexual em si, refere-se aos sentimentos e comportamentos afetivos e sexuais e às relações construídas ao longo da história para diferenciar os papéis entre homens e mulheres, que não necessariamente se passam na intimidade de uma relação amorosa, afetiva ou sexual.
No que se refere à transa sexual, estudar sexualidade é tentar compreender como se fundamentam e se difundem os valores, sentimentos e comportamentos que norteiam as práticas sexuais. Por exemplo, de acordo com a Pesquisa Nacional Violência, Aids e Drogas nas escolas, realizada pela UNESCO em 2001 os jovens, do sexo masculino, iniciam sua vida sexual entre 10 e 14 anos de idade, enquanto as jovens, têm sua primeira relação sexual entre os 15 e 19 anos de idade. Com esse dado, poderíamos perguntar por que a maioria das moças iniciam sua vida sexual mais tardiamente que os rapazes e a resposta da questão nos conduz à reflexão de como cada cultura elabora e transmite papéis e valores determinados para cada gênero: feminino e masculino.
A iniciação sexual é para todas as pessoas, de diferentes culturas, um ritual, um marco na vida de cada um, como uma passagem da vida infanto-juvenil para a vida adulta, envolvendo as construções de virilidade para os homens e de modelagens do feminino para as mulheres, porém para ambos refere-se a uma fase da vida em que se busca autonomia. Ao ter sua primeira transa o(a) adolescente ou jovem experimenta uma sensação de controle, de domínio sobre o próprio corpo, que o(a) faz sentir-se indivíduo e senhor de si mesmo. É quando se reivindica maior liberdade para os pais, estabelecendo os próprios projetos de vida, realizando e escolhendo as próprias práticas sócio-culturais e econômicas como eventos festivos, espaços de socialização, trabalhos, etc.
Entretanto, a sexualidade se realiza para cada pessoa em condições socioculturais determinadas, pois envolve esferas como a intimidade, as formas de ser, os padrões estabelecidos por cada povo e as regras que o consumo impõe. É estranho, mas a relação entre sexualidade e consumo existe e é direta, basta relembrar que o sistema capitalista é uma ordem econômica e social que ultrapassa as fronteiras e que se estende por todo o mundo. Há culturas que não são capitalistas, mas não deixam de sofrer as influências e conseqüências que o sistema hegemônico (predominante) impõe.
Em sociedades como a brasileira a juventude é a faixa etária privilegiada nas propagandas e ofertas de consumo, nelas estão presentes a valorização do corpo e da saúde perfeitas. Fato que pode ser comprovado com a disseminação de academias e da prática de esportes, envolvendo um circuito industrial que produz moda: tênis, roupas, acessórios, instrumentos e brinquedos esportivos. Também pela quantidade de notícias atualmente veiculadas sobre o uso de anabolizantes entre os rapazes, da anorexia entre as moças, da disseminação dos silicones e cirurgias plásticas como exacerbação desse ideal. Por trás dessas regras de consumo estão presentes uma forma sutil de controle dos corpos, marcando atitudes estabelecidas como “certas” e “erradas”, como esperadas e desejadas nos comportamentos femininos e masculinos.
A sexualidade é assim uma relação social estabelecida consigo mesmo e com os outros, construída através das relações afetivas. Ela encontra lugar privilegiado na socialização entre os pares, isto é, entre iguais, como grupos de amigos de uma faixa etária semelhante, pois cada geração produz novos papéis sexuais e constroi a própria identidade. Fenômeno que explica o quanto pessoas mais velhas estranham e muitas vezes abominam comportamentos da juventude.
Gerações mais novas têm reelaborado a questão da virgindade, por exemplo. Na mesma pesquisa citada acima a maioria dos jovens de diferentes capitais acreditam que a virgindade é coisa do passado. Entretanto, mesmo havendo mudanças comportamentais a cada geração permanecem difusos antigos valores. Entre os rapazes é estimulada a atividade sexual para se começar mais cedo e ser mais intensa, existindo uma grande cobrança social de experiência e eficiência para se levar para a vida adulta, presente na noção de virilidade, atributo que exerce o controle do que é ser homem.
Muitos adultos reproduzem que os homens e mulheres lidam de maneira diferenciada com a libido sexual, que as moças podem controlá-la mais que os rapazes. Colocações tais como “para o homem é mais difícil segurar a vontade sexual do que para a mulher” como se para ele o sexo fosse uma coisa “natural” e para a moça estaria ligado a uma fase da vida mais relacionada com a reprodução, isto é, com a gravidez, e, portanto, houvesse um momento “certo” para ser realizado. Discursos deste tipo são biologizantes, naturalizantes, pois percebem a sexualidade somente do ponto de vista do ser biológico, animal e não levam em conta que o ser humano é também social e sofistica suas manifestações biológicas com criações culturais.
A virgindade é um dos marcos que diferencia comportamentos femininos e masculinos na cultura brasileira, pois ela norteia comportamentos e delimita atitudes. Para as moças a ausência de relação sexual, ao contrário dos rapazes, é vista como positiva, pois é usada como estratégia de seleção para relacionamentos mais estáveis como namoro e casamento. É possível observar o quanto é comum as falas que diferenciam as moças que “são para casar” das que “são para se divertir”. Fenômeno que pode ser compreendido como um preconceito social.
Os adultos que valorizam a virgindade a justificam como um meio da moça não ser desvalorizada e vulgarizada, mas é possível observar uma mudança de valores em que muitos Jovens são ridicularizados entre seus pares porque são virgens. Mas ainda assim a pressão é muito maior sobre eles do que sobre elas.
É possível perceber o quanto os valores que norteiam a virgindade exercem controle sobre os corpos, principalmente das mulheres? Para elas a virgindade é uma questão conflituosa, pois se elas a “perdem” ficam com medo de se desvalorizarem ou dos seus namorados não quererem mais namorá-las, mas se ficam virgens possuem o receio da traição. A esfera da sexualidade é, portanto, a dimensão que constroi e explica a passividade e submissão feminina, pois molda vontades, desejos e projetos de vida numa lógica de “domesticação” dos corpos.
[i] Resenha de Janete Araújo da Silva
ABRAMOVAY, Miriam. A iniciação sexual dos jovens. In: Juventudes e sexualidade. Brasília: UNESCO Brasil, 2004. Parte 1
A formação da humanidade pelo conhecimento e pelo trabalho 3 de março de 2010
A teoria da evolução, proposta por Charles Darwin (1809-1882) não ficou restrita ao estudo das ciências naturais, ela estimulou o conhecimento em diversos campos que procuravam respostas para questões sobre a origem do universo (Astronomia, Geologia) e dos seres humanos (História, Arqueologia, Paleontologia, Antropologia).
A Paleontologia, área que estuda os fósseis, aponta uma série de mudanças ocorridas na espécie humana desde seu aparecimento há cerca de três milhões de anos: Homo Habilis (2 milhões de anos); Homo Erectus (1,8 milhões de anos); Homo Sapiens (300 mil anos) e Homo Sapiens Sapiens (195 mil anos).
As mudanças só foram possíveis por causa da capacidade do gênero humano de pensar e lutar pela superação de suas necessidades. A liberação das mãos, em virtude da posição ereta, possibilitou o uso de ferramentas, bem como a condição de pegar e segurar objetos. É nesse processo que se origina o trabalho, considerado como a atividade que exige do ser humano o uso constante de suas capacidades mentais e físicas na construção dos meios que possibilitem a sobrevivência.
Esse processo levou milhares de anos e atingiu a todos os indivíduos, pois foram conquistas dentro de um processo educativo coletivo, em que juntos aprenderam a sobreviver e os levaram ao desenvolvimento da linguagem.
O trabalho humano transformou a natureza e o próprio homem também se transformou. Ele deixou de ser nômade e passou a viver em lugares fixos, desenvolvendo atividades agrícolas e pastoris, possibilitando a organização social em tribos.
As tribos cresceram e se multiplicaram, o trabalho se dividiu e diversificou, surgiram regras de convivência, crenças, tradições, desejos de dominação de uma tribo sobre ao outra e as lutas travadas levaram à escravização dos grupos derrotados.
Em meio à divisão do trabalho e à escravização, surgiram as primeiras cidades. A vida urbana solicitou novas necessidades como o comércio, a navegação e o artesanato. Nela se instituiu nova forma de viver: as normas se fixaram em leis, as trocas de idéias passaram a ser mais constantes, os costumes se solidificaram e etc. Nasceu assim a Sociedade, compreendida como a vida em grupo que se caracteriza por apresentar relações sociais complexas, onde, segundo Emile Durkheim (1858-1917) – sociólogo francês – o interesse coletivo impõe regras às condutas individuais.
- Tornar-se Humano
Existem regularidades da vida em grupo comuns a todas as espécies de animais: convivência, competição, acasalamento, sobrevivência e reprodução com certa regularidade, que se ordena em função das características da espécie e do meio ambiente. Os animais também desenvolvem estilos próprios e complexos de comportamentos: sistemas de acasalamento, alojamento, migração, defesa e alimentação, necessários à sua sobrevivência e à reprodução da espécie. Mas recebem as informações necessárias de seu comportamento através de sua herança genética, ou seja, agem por instinto – ações e reações que dispensam o aprendizado e se desenvolve de forma espontânea.
O homem é um dentre as várias espécies animais, ele também age por instintos: respirar, engatinhar, alimentar-se, dormir, sentir medo, prazer e frio, relações de amizade e parentesco. Porém, o homem desenvolveu habilidades e comportamentos que dependem de aprendizado, seja por dificuldades do ambiente ou por particularidades da própria espécie.
O que torna os seres humanos diferentes das demais espécies de animais é que grande parte de seu comportamento não se desenvolve naturalmente em sua relação com o mundo, nem é transmitido por genes, mas necessita aprendê-los com os seus semelhantes. E por isso nascer humano não é suficiente para tornar-se humanizado: socializado, dotado de comportamentos, conceitos e hábitos humanos.
2. O conhecimento como característica da humanidade
O homem aprende com seus semelhantes uma série de atitudes que jamais poderia desenvolver no isolamento. Pois o aprendizado é um processo de transmissão geracional, onde as gerações mais velhas transmitem às mais novas suas experiências e conhecimentos.
A aprendizagem é possibilitada pela capacidade humana de criar sistemas simbólicos de linguagens que são os códigos visuais, orais e materiais que permitem a comunicação e possuem sentidos compartilhados.
É por meio das linguagens que somos capazes de nos comunicar. Transmitimos a herança de nossa experiência de vida e compartilhamos o sentido dela com os outros indivíduos. Desta forma, o pensamento humano transforma a experiência vivida em um discurso com significado, para poder transmiti-los. É esse processo que permite o uso da imagem, da memória, diferenciar experiências no tempo, separar passado do presente e projetar o futuro.
Universo simbólico: A forma como o homem transmite suas experiências e visões de mundo é pela comunicação, através de uma íntima relação entre linguagem + experiência + realidade. Que darão as bases do imaginário e do conhecimento humano.
Assim, o homem concebe acontecimentos, ações e reações sob a forma de imagem, simboliza, armazena significados, separa, agrupa, classifica o mundo de acordo com certas características.
As formas de comunicação e expressão que a linguagem possibilitou, e através do uso de novas ferramentas advindas com o trabalho (transformação da natureza), os seres humanos aperfeiçoaram seus hábitos alimentares, o que implicou em um maior desenvolvimento do seu modo de agir e de pensar.
O conhecimento do mundo – organizado, comunicado e compartilhado com seus semelhantes e transmitidos à descendência – transformou-se em herança cumulativa para se interpretar a realidade e se agir sobre ela, originando a Cultura.
Cada cultura tem raízes, significados e características próprias e todas apresentam complexidades e são simbólicas, fruto da capacidade criadora do homem e de adaptações de uma vida em comum, em um tempo e espaço determinados. Portanto, a cultura é um processo incessante de recriação, compartilhamento e transmissão da experiência.
A elaboração simbólica da experiência fez com que os homens recriassem a realidade segundo suas necessidades e pontos de vista, traduzindo-a sob a forma de informação ou conhecimento. O potencial criativo simbólico depende do espaço, do tempo e dos grupos que realizamos intercâmbios e com os quais dividimos nossa experiência, gerando uma multiplicidade ilimitada de interpretações: padrões de vida, de crença e pensamentos diversos.
3. As culturas humanas como processos
O conhecimento é um conjunto de informações e sentidos que permite a capacidade de pensar o mundo, de dar significado à realidade e de passá-lo por gerações. As transmissões culturais, o ensinamento do comportamento social dá-se através de um processo educativo formal e informal. Formal quando instituições específicas se responsabilizam pela tarefa, como é o caso da escola e informal quando o aprendizado acontece de forma espontânea, através da convivência com o grupo social.
Os diversos grupos sociais criam tradições e costumes que explicam indiretamente sua visão de mundo a respeito da vida e do universo. São elaboradas festividades, cerimônias e ações práticas regulares que congregam os membros da comunidade e inicia os mais novos na vida do grupo. Estes são conhecidos como rituais que afirmam a presença do indivíduo ao grupo e sua posição nele e ritual de passagem para oficializar a participação de novos indivíduos ao grupo ou a camadas específicas desse mesmo grupo.
Ritual: ação revivida em grupo com tendência à repetição. É uma forma ideal de ação aceita por todo um grupo para explicar a existência humana e suas convenções.
Todas as culturas são dinâmicas e nesse processo de transmissão geracional desenvolvem mecanismos de conservação do conhecimento acumulado e mecanismos de mudanças ajustados. São as relações entre as culturas humanas e as condições de cada grupo que mostram as diferenças entre elas como resultados das circunstâncias que as cercam e das tradições herdadas do passado. É a História e as necessidades impostas, determinadas pelo meio ambiente, que explicam a especificidade (particularidade) de uma cultura.
As culturas são padrões sociais articulados em que a alteração em qualquer traço, provoca mudança no todo e essas transformações acontecem de maneira imperceptível e dependem das condições, do peso das tradições e das necessidades emergentes.
As culturas não podem ser comparadas umas com as outras levando em conta um único aspecto, pois se corre o risco de limitar o conhecimento e de querer ver uma cultura particular com os olhos da cultura do observador, o que leva ao etnocentrismo – tendência a privilegiar o grupo étnico ou nacional a que se pertence, considerando-o como padrão para julgar as culturas diferentes. O etnocentrismo tende a criar preconceitos contra outros povos e culturas. Um exemplo de etnocentrismo é a atitude dos europeus ao conquistar e colonizar a América.
Cultura: Conjunto de hábitos, crenças, relações, formas de poder e linguagens em inter-relação histórica. Conjuntos de significados partilhados por um grupo. Conjunto de interpretações da realidade.
Etnia: Grupo biológico e culturalmente homogêneo. Para alguns autores a noção de etnia supõe grupos com características físicas próprias. Em todos os casos, porém, a noção de cultura é fundamental para definir uma etnia.
4. A ciência como ramo do conhecimento
O pensamento simbólico é uma das principais características da humanidade. Ao pensar, projetar, ordenar, prever e interpretar o homem constrói uma relação de significado e sentido com o mundo. E são essas habilidades humanas que permitem o desenvolvimento da ciência.
Os modelos de conhecimento mudam com o tempo, dependem de fatores sociais, da tradição e da influência de outros grupos. Vejamos alguns exemplos:
Antiguidade Ocidental – período em que predomina o pensamento mítico e religioso. As principais características de forma de conhecimento são:
- Não tratar o mundo em suas bases materiais e objetivas;
- Predominar a reflexão metafísica da natureza;
- As explicações científicas não são valorizadas.
Mesmo saberes racionais como a geometria egípcia, estavam associados às questões da cultura, isto é, como a vida após a morte, os deuses e o destino humano e o pensamento lógico e científico limitava-se à sua aplicação prática, à necessidade de resolver problemas imediatos.
A Grécia (1450 a. C. aproximadamente) foi que desenvolveu o pensamento abstrato, desligado de crenças religiosas e do pensamento mítico, com objetivos próprios, voltado para o conhecimento. Foram os gregos que desenvolveram uma reflexão objetiva do mundo. Criaram a Filosofia, a geometria abstrata e a astronomia. Romperam com as explicações míticas e religiosas.
É considerado um milagre, pois deram um salto qualitativo no conhecimento ao construírem um saber adquirido por meio da abstração, mas dirigido pela razão. Tal milagre não se deu como uma mudança abrupta, repentina, mas como conseqüência do próprio modo de vida e das instituições. Cresceu nessa sociedade a concepção da ação humana como determinante dos destinos, isto é, cresceu a idéia de individualismo e razão.
O modo de vida e de comportamento muda, pois muda o paradigma de explicações do sistema filosófico mítico e coletivista para o de explicações científicas. A razão perdura até o final do Império Romano (476 d. C.) enquanto atividades comerciais e manufatureiras se mantinham.
Na Europa feudal (séculos X ao XV), predomina a vida agrária e o modo teocrático de explicação, que lhe submete a razão e a filosofia. Na Idade Média a racionalidade é rebaixada a mero instrumento auxiliar da fé. Vigora uma visão instrumentalista da filosofia que só ganha validade quando afirma o poder da Igreja. A fé e a crença voltam como modelos de reflexão e explicação do mundo. O conhecimento ficava restrito aos mosteiros religiosos.
A racionalidade grega, portanto, perdura até o final do Império Romano, com a queda, a Europa entra no período feudal, a Idade Média. A igreja católica firma-se como instituição política e religiosa e concentra o conhecimento para afirmar seu poder.
No Renascimento Cultural (séculos XV e XVI) recomeça o desenvolvimento do espírito especulativo. A partir do século XVII a ciência passa a firmar-se como o principal método de conhecimento. Este se amplia para um número cada vez maior de pessoas através da criação da Imprensa e dos meios de comunicação.
No século XVIII e XIX há um deslocamento da produção de alimentos e de objetos do campo para a cidade ocorrendo mudanças no comportamento e nas relações. São transformações econômicas, políticas e sociais que os pensadores procuravam entender e mostrar caminhos para a resolução de problemas. Tais preocupações firmaram as bases da Sociologia que se consolida no século XIX como resultado da necessidade de compreender as relações coletivas, independentes das convenções e tradições morais e religiosas.
A Sociologia nasce como modelo racional que permite a observação, o controle e a formulação de explicações com credibilidade, tornando possível prever e controlar acontecimentos sociais.
O significado do surgimento da Sociologia é a mudança das explicações baseadas no mito para basearem-se na ciência. Como princípio de conhecimento científico propõe conceitos, hipóteses e formas de averiguação sobre a realidade com credibilidade e eficiência.
Para responder às necessidades de controle e intervenção – uma nova maneira de enfrentar a realidade social e seus problemas – foi que surgiu a Sociologia.
5. A Sociologia: um conhecimento de todos
Do século XV até os nossos dias, o entendimento passou do mito à filosofia e desta à ciência. A Sociologia estabeleceu debate constante entre os pensadores e teorias, exigindo aprofundamento, experimentação, desenvolvimento metodológico e comprovação. Nesse embate, criou conceitos próprios e com ela a realidade passou a ser compreendida como resultado de forças próprias da vida coletiva.
O cidadão comum se apropriou do conhecimento sociológico através de palavras e expressões transmitidas pelos meios de comunicação, discursos políticos e publicidade. As pesquisas de opinião veiculadas, por exemplo, demonstram certo entendimento do público quanto aos métodos utilizados. O público aceita as pesquisas de opinião por perceber que seu comportamento, emoções e sentimentos dependem tanto de suas manifestações individuais quanto de regularidades coletivas, observadas em um grupo com características semelhantes.
Os conhecimentos e técnicas de Sociologia se disseminaram e foram adotados em diferentes campos, demonstrando a confiança nas técnicas de medição sociológicas por outros profissionais e pelo público em geral. Com isso as pessoas reconhecem a submissão da vida social a determinadas regras.
Mesmo desconhecendo os procedimentos metodológicos completos, o público confia e deixa-se guiar pelos resultados das pesquisas, demonstrando confiança na ciência e em seus procedimentos. A investigação da vida social ganha prestígio e abandona análises ingênuas e pessoais, preferindo a segurança da investigação científica.
Assim, todo conhecimento é social, pois é criado por indivíduos em grupo ou em classes, reagindo às condições de seu tempo. A produção do conhecimento está relacionada à maneira como os indivíduos se organizam para suprir suas necessidades, isto é, suas instituições sociais, políticas e econômicas que criam.
Há disputas no interior da sociedade, em que indivíduos ou grupos procuram elaborar um conhecimento que contribui para manter a ordem social, pois interessa a eles a sociedade tal como é, e existem outros que produzem, desejando sua transformação. Existem grupos de poder e grupos subalternos, os primeiros procuram manter o status quo (situação existente), os segundos transformá-lo.
A Sociologia nasce em resposta às necessidades de entender e explicar as transformações advindas com o desenvolvimento e consolidação do capitalismo, ela se desenvolveu, sobretudo, em três centros: França, Alemanha e Estados Unidos da América.
Os instrumentos e técnicas de pesquisa sociológica são reconhecidos como válidos e eficazes e profissionais de diversas áreas utilizam as técnicas sociológicas para poder antecipar tendências, compreender determinadas características da população para com ela interagir, pois permitem conhecer a sociedade para que determinados objetivos sejam alcançados.
O conhecimento sociológico é uma ação consciente e programada que exige pesquisa, planejamento e método.
6. Desafios da Sociologia hoje
O sistema capitalista passa por reestruturação em seus conceitos e mecanismos de funcionamento, sendo necessário desenvolver a capacidade de entender os acontecimentos e planejar as ações para se tomar decisões e reconhecer a posição e o objetivo de cada pessoa dentro desse sistema.
Análises de conceitos consagrados precisam ser retomadas dada a dinâmica das transformações contemporâneas. Valores básicos da sociedade capitalista como é o trabalho, são colocados de lado enquanto lazer e consumo ganham uma nova dimensão e tornam-se necessidades centrais.
O momento pede o repensar dos padrões e das regularidades que ordenam a vida social, dando à Sociologia nova importância frente aos desafios.
7. Área e objeto de estudo
Ciências Humanas: Preocupa-se com episódios exclusivamente sociais, coletivos, subjetivos e interpretativos, enquanto resultado das práticas humanas.
Ciências Sociais: Estudo sistemático do comportamento social do homem.
Sociologia: Estudo das relações sociais e das formas de associação: grupos sociais, divisão da sociedade em camadas, mobilidade social, etc.
Antropologia: Estudo da cultura de agrupamentos humanos e da diversidade social: festividades, religiosidades, costumes, etc.
Ciências Políticas: Estudo da distribuição e organização do poder social, como a formação e o desenvolvimento das diversas formas de governo.
8. Bibliografia
AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. O nascimento da humanidade. A formação da Grécia antiga. O império Romano. O renascimento comercial e Urbano. In: História. São Paulo: Ática, 2005.
COSTA, Maria Cristina Castilho. Introdução. Conceitos básicos de Sociologia. In: Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 2005.
MEKSENAS, Paulo. O processo de humanização da natureza. In: Sociologia. São Paulo: Cortez, 1994.
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. A sociedade humana. Princípios de Sociologia. Viver em Sociedade. In: Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2008.
TOMAZI, Nelson Dacio. O estudo da Sociologia. In: Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Atual, 2007.
O estudo da Sociologia 3 de março de 2010
TOMAZI, Nelson Dácio. O estudo da Sociologia. In: Sociologia para o Ensino Médio. São Paulo: Atual, 2007.
Resenha de Janete Araújo da Silva
A Sociologia é um ramo das Ciências Humanas que tem como objetivo compreender e explicar as permanências e as transformações que ocorrem nas sociedades humanas. Como os costumes seculares, muitos milenares, que convivem lado a lado com expressões artísticas e arquitetônicas modernas, contemporâneas ou os comportamentos juvenis de acordo com um período histórico determinado.
É importante ressaltar que os seres humanos através dos tempos procuraram suprir suas necessidades de caráter animal, biológico, como também as de convivência social. Para isso, criou sentidos de normas, valores, costumes, propriedades, desigualdades, conflitos, arte e explicações de mundo que incrementaram, inclusive, suas práticas fisiológicas.
Ao construir uma vida carregada de significados que compartilha com outros indivíduos, cada pessoa passa a fazer parte de uma rede, de uma teia direta que começa a partir de instituições como a família, a escola, a comunidade religiosa, o bairro, o grupo de amigos, o trabalho e indireta a partir dos produtos que consome e todo o circuito de trabalho desenvolvido entorno das mercadorias. Portanto, viver em sociedade é participar da produção social, isto é, da história das pessoas, dos grupos e das classes sociais.
Sendo assim, a História torna-se um dos elementos centrais de análise utilizada como instrumento da Sociologia para comparar diferentes épocas e para conhecer mais profundamente elementos construídos ao longo do tempo. Realiza-se as chamadas “Análises de Conjuntura”, que é a maneira como fatos sociais estão arranjados no presente, sendo frutos de tomada de decisões locais, nacionais ou internacionais a curto, médio ou longo prazo.
São campos de estudo da Sociologia:
- Diversidade de ações e dos pensamentos dos grupos de pessoas;
- Relações sociais padronizadas;
- Desigualdade e desemprego;
- Política e relações de poder;
- Direitos e cidadania;
- Movimentos sociais;
- Cultura e ideologia;
- Modos de trabalho;
- O cotidiano e etc.
A Sociologia contribui para o entendimento de questões de caráter pessoal, grupal e mesmo societário e global. Ela fornece conceitos e ferramentas para analisar questões sociais e individuais de forma consistente e sistemática, fugindo do senso comum. Ela é uma ciência, suas pesquisas e explicações passam por um rigor técnico, metodológico e teórico intenso até ser divulgada e aceita pela comunidade científica e seus resultados podem ser questionados ou referendados de acordo com os padrões propostos para a pesquisa.
Como lida com elementos tão próximos da vivência das pessoas, não são respostas óbvias que o cientista social procura, mas aquelas que evidenciam a maneira como as sociedades estão estruturadas, os valores que são mais profundamente compartilhados, as maneiras de ser e de agir das pessoas que escapam à reflexão cotidiana dessas mesmas pessoas.
Ao tocar tão fundo na estrutura de organização dos povos a Sociologia se mostra crítica e pode servir de incômodo para uma série de pessoas e organizações que se beneficiam do arranjo social tal como se apresenta.
Na escola, esta área preocupa-se em contribuir para a formação de indivíduos autônomos, pensadores independentes, com capacidade de análise e julgamento dos fatos, formando um conhecimento mais preciso sobre si mesmo e a sua sociedade. Para tanto, desenvolve uma imaginação sociológica, ou seja, uma capacidade de reflexão sobre as vivências cotidianas e relacioná-las às situações mais amplas, que condicionam, limitam, mas também explicam o que acontece no cotidiano de diversas pessoas.